A criança

novembro 25, 2009

É engraçado pensar em como esse assunto chegou aos meus milhares de pensamentos diários. Entre trabalhos da faculdade, planejamentos na agência, feriado chegando, telefones tocando, amigos esperando, provas da semana que vem, e a fome batendo. Como do nada consigo, estranhamente, pensar na criança que há dentro de mim?

Resposta: Olhando para a janela ao meu lado.

Ao olhar para aquela janela grande, larga e totalmente transparente, pude visualizar o céu. Céu aquele que se encontra belo e azul. Límpido e com apenas algumas nuvens brancas caminhando, lentamente, como se estivessem meditando, apreciando cada milésimo de segundo que elas estão vivendo. É então que começo a ver formas engraçadas nas nuvens. Formas estranhas, que me lembram algo ou alguém.

nuvem com forma de dragão

Ai eu pergunto: Quem aqui nunca viu formas nas nuvens quando era criança?

Exato, todos já fizemos isso.

Engraçado como isso era corriqueiro aos meus 9 anos, ou por volta disso. Como eu era mais imaginativo, sonhador, era mais criativo e livre de barreiras morais, ou de medos. Costumava ser fantasioso com o mundo, gostava de andar pisando nas linhas dos azulejos, soltava pipa, brincava com as meninas e inventava milhões de métodos e armas para eliminar as bactérias femininas do meu corpo, fingia ser algum tipo de super herói e eu REALMENTE achava que era ele, fazia fogueiras e queimava Fandangos e Ruffles e os comia, e muitas outras façanhas de minha infância tão bem vivida.

O Fantástico Mundo de Bob

Hoje já não paro para ver formas nas nuvens, nem imaginar milhares de outras coisas. Meus dias vividos após a época fantasiosa, em meio a tantas lágrimas, feridas, traumas, ofensas e outras coisas. Minha época pós-infância em que vivi dias de racionalização, de pessoas me falando o que pensar e como pensar, de pessoas me mostrando que isso ou aquilo já não mais existiam, ou nunca existiram. Todos os planos que tive, as invenções que quis fazer, as idéias geniais em que queria investir, foram todas por água abaixo. Alguém sempre esteve lá para dizer: “Para com isso, é besteira. Você acha que isso existe? Que vai acontecer? Que vai dar certo?”

E para onde foi a criança que existia dentro de mim? Ela se escondeu.

Fugiu deste mundo caótico, e se escondeu na caverna do dragão. E de lá não voltou.

Mas calma, ainda há tempo de trazê-la de volta. Eu sei que ainda há. Sinto-a voltando com o passar dos dias, horas, minutos… segundos!

Posso afirmar que, os mais criativos nesse mundo são aqueles que vivem sem medo de pensar. Aqueles que vivem sem medo de errar, sem julgamentos, sem barreiras. Aqueles em que a criança interna nunca morreu. São aqueles em que a fantasia nunca sumiu, a imaginação infantil misturada a sua realidade adulta se tornou parte de seu dia-a-dia. Aqueles em que a criança interna ainda vive, e ainda conseguem resgatá-la.

Espero conseguir reanimar a criança que tem dentro de mim.

E a minha inspiração para isso, são aquelas nuvens ali. Aquelas que possuem formas engraçadas e divertidas. Aquelas que nunca mais voltei a olhar.

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Uma resposta to “A criança”

  1. Mari Says:

    Caraca Iudi.
    Te juro…vc me fez muito pensar agora nisso..
    realmente, com o passar dos anos, muito coisa foi imposta pelos outros à nós…tanto modo de pensar, como agir e etc…. Já sabemos de muita coisa, já vimos, já vivemos…qualquer gesto pode ser cruel, mas a vontade de voltar a ser e SER veio à tona em mim agora. Mandou muito Iudi! valeuuu! beijoooo


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