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Gélido

fevereiro 5, 2010

Timidez, nervosismo e falta de autoconfiança. Essa foi a fórmula perfeita para um fracasso com seu primeiro amor.

Uma menina tão linda, de olhos azuis, cabelos dourados e um corpo digno de elogios.

A qual aquele garoto novo que entrou no colégio já foi logo conquistando com sei jeito aventureiro, descolado e desencanado. Fazendo com que a aproximação do jovem apaixonado fosse impossível, principalmente porque o garoto novo se tornou seu melhor amigo. Mas isto é um mero detalhe.

Os três anos de paixão compensaram, mesmo que momentaneamente. O jovem conseguiu seu primeiro beijo. Um beijo molhado, bagunçado, mas não menos mágico. E este beijo, por mais estranho que seja, se deve ao fato de seu melhor amigo, e concorrente, ter saído do colégio.

Mas ainda assim era um fracasso. Porque o jovem teve apenas este beijo e nada mais. A garota por quem foi apaixonado tanto tempo, não quis nada além de um beijo de compaixão.

Um ano se passou e o jovem trocou de colégio. Não queria, mas teve que ir. Forças superiores, vulgo pais, o obrigaram para ter uma vida estudantil melhor.

Em seu novo colégio não podia ser diferente. Fez novos amigos e conheceu novos professores.

Mas algo inevitável lhe aconteceu. Apaixonou-se novamente. E como era de se esperar, ele foi recusado novamente, pois não teve a coragem de se declarar para a menina de quem tanto gostava.

Chorou até secar-se de lágrimas. Ficou por horas deitado em sua cama, abraçado ao travesseiro.

Ficava se perguntando o porquê dele nunca conseguir alguém. Porque outros conseguiam e ele não. Porque ele tinha que sofrer tanto.

Anos foram se passando e de tempos em tempos ele se apaixonava. Era um verdadeiro romântico. Sempre encontrava uma mulher digna de sua admiração, sua paixão e seu amor.

Infelizmente, as poucas que tiveram a oportunidade de dividir estes sentimentos com ele, não foram bem sucedidas em construir uma relação duradoura e sólida.

Suas falhas amorosas, seus constantes fracassos, e a sempre presente rejeição o fizeram cada vez mais confuso e frustrado.

Hoje ele já não entende.

Não sabe o porquê, mas simplesmente aceita. Contenta-se.

Não agüenta ter que ficar sofrendo e se arriscando o tempo inteiro. Se convenceu de que nunca achará ninguém.

Ele já não consegue sentir nada por ninguém. Não possui sentimentos.

Tudo o que lhe resta é um pedaço de gelo no meio do peito.